O gênio criador _ de Cleusa K. Sakamoto
A definição de criatividade
É um vocábulo da atualidade, que freqüentemente quer designar algo muito distinto, de acordo com o ponto de vista de quem o utiliza.
Muitas vezes a criatividade é referida como ação, ou a vemos traduzida como potencial, algumas vezes como sinônimo de um tipo específico de pensamento, muitas vezes é considerada um tipo de solução positiva para uma situação cotidiana ou excepcional.
Ao ser estudada cientificamente, é considerada a partir de quatro aspectos habituais: 1 – do ponto de vista da pessoa criativa, 2 – do ponto de vista do processo criativo, 3 – do ponto de vista do produto criativo e, 4 – do ponto de vista das influencias ambientais.
Nas áreas de atuação profissional, abordam sempre uma de suas faces de modo peculiar. Para o artista a criatividade é algo espontâneo, singular e passageiro. O cientista busca ter um domínio de seu conhecimento, para desvendá-lo e poder compreendê-lo e explicá-lo. Existem aqueles que vêem como integrante do aprendizado e da pessoa, por outro lado vemos aqueles que estimulam a atividade criadora sem saberem, tem os que não levam em conta o potencial criativo no contexto da aprendizagem. Para o cidadão comum criatividade é algo inexplicável e bom, como um ”boom”.
Para a pessoa criativa, desde que ela se considere criativa, é algo que faz parte dela, procurará explicar para si mesma, reagirá com naturalidade, outras vezes com segurança em relação a si, se lançará a experiências abertamente sem preocupação com resultados. Ela vive as suas possibilidades sem precisar explicar.
O homem cresce e se apóia na sua criatividade, criar é trazer presente o viver humano, é a “capacidade mais requintada que o ser humano desenvolve e exercita” (Sakamoto, 1990).
Ponto de Partida da Criação Humana
A atividade criativa é desenvolvida em interação com as influencias do ambiente.
Todo ser humano é potencialmente criativo, depende da influência do ambiente.
Em alguma circunstância ou ambiente revelará impedimentos ao desenvolvimento global do individuo, que acarretará em estados patológicos ou de grande prejuízo.
O ser criativo se manifesta a partir de sua singularidade e na condição da pluralidade do existir humano. As primeiras ações criadoras do ser em sua existência são a construção de um a noção de identidade pessoal e do mundo que nos circunda. O que permite articular uma relação entre o Eu e o mundo, garantindo a adaptação do ambiente.
Donald Woods Winnicott, psicanalista, ampliou a visão de Freud sobre mundo interno subjetivo, sugerindo o conceito de espaço potencial, que é intermediário entre a realidade interna e a realidade externa e, na qual participam as duas, em sobreposição.
O criar neste prisma depende de um Ser Eu numa rede de relações reais e significativas no mundo, do Eu em Inter-ação.
Criatividade, Felicidade e Liderança
O viver humano é permeado de desafios e vivemos em busca da Felicidade. A nossa primeira construção é o Eu, depois estabelecemos nosso grupo de referência, edificamos o viver, acrescentando as aprendizagens, o desenvolvimento de capacidades, e o aprimoramento de nossa Criatividade.
Criar é o ato subjacente ao viver que está à serviço do propósito de ser feliz.
O conceito de Felicidade é um produto da experiência da consciência sobre o Eu e nosso viver, uma meta alcançável, pois a consciência sobre a trajetória vivida constitui um plano, podendo garantir sua realização.
A liderança não aprendida, mas construída ao longo de um viver de modo próprio.
A pessoa criativa constrói a sua felicidade e pode dar um testemunho de Felicidade humana. O líder não dá testemunho de felicidade, mas dá testemunho da seriedade que é buscarmos a condição criativa de sermos felizes.
Aladim de As Mil e Uma Noites – Uma discussão sobre a criatividade na adolescência.
A adolescência é um momento criativo por excelência na existência humana. O adolescente enquanto individuo em estado de profunda transformação bio-psico-social, exerce um importante papel social. Sua postura de questionamento, confere uma abertura para introduzir o que é novo, revitalizando a realidade existente, por isso, ele é considerado excepcionalmente criativo. No conto de Aladim, vemos a Lâmpada Maravilhosa uma metáfora da capacidade criativa que concretiza planos e desejos singulares, que modificam o curso de uma existência. Encontramos um jovem em busca de ideais, que além de modificar o seu destino, modifica o de algumas pessoas que o cercam.Na estória de Aladim, ele buscava seus próprios projetos, ele era capaz de imaginar o que estava além de sua realidade imediata. Sua capacidade de abstração e imaginação diferenciada, lhe permitiam realizar seu modo criativo de modo mais efetivo. A lâmpada remete a capacidade de sonhar e concretizar o que o Eu busca - representa o potencial criativo. Obter a lâmpada é se despojar de intenções pré-estabelecidas, lançar-se a experiências e ser espontâneo, surpreender-se com o obtido, o que permite encontrar a si mesmo.O Eu e o imaginário possuem como na estória de Aladim, um acesso restrito que é condicionado pela busca da subjetividade e está associado ao processo de auto-conhecimento.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
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